Introdução
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descobriram novos alvos moleculares que podem revolucionar a prevenção da tuberculose (TB), a doença infecciosa mais mortal do mundo. O estudo, publicado na revista Science Translational Medicine, revelou um conjunto de proteínas capazes de estimular uma resposta imunológica robusta — um passo decisivo rumo a uma nova geração de vacinas mais eficazes que a atual BCG.
Tuberculose ainda é uma ameaça global
Atualmente, a vacina BCG é a única disponível contra a tuberculose, mas sua eficácia é limitada, especialmente em adultos. A doença, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, mata mais de 1 milhão de pessoas por ano em todo o mundo.
Segundo o professor Bryan Bryson, do MIT e membro do Ragon Institute, “ainda existe uma enorme carga global de TB e precisamos de estratégias que realmente façam diferença”.
A busca por novos antígenos
A equipe do MIT analisou mais de 4.000 proteínas bacterianas e identificou 27 fragmentos (peptídeos) que provocam forte resposta de células T, fundamentais para a defesa imunológica.
Esses fragmentos foram encontrados em células humanas infectadas e mostraram ser reconhecidos por pessoas que já tiveram TB, indicando seu potencial como candidatos vacinais.
“Queríamos descobrir quais proteínas do bacilo realmente são apresentadas ao sistema imunológico humano”, explica Bryson. “Com isso, podemos desenhar vacinas que estimulem as defesas de forma mais eficaz.”
Como o corpo reconhece o bacilo
Os pesquisadores focaram nas moléculas MHC classe II, responsáveis por exibir fragmentos de proteínas para as células T.
Entre os antígenos mais promissores estão proteínas do sistema de secreção tipo 7 (T7SS), especialmente EsxA e EsxB, que ajudam a bactéria a escapar de células imunes. Esses alvos se destacaram por ativar fortemente as respostas imunológicas em testes laboratoriais.
Tecnologia de mRNA entra em cena
Usando a mesma plataforma que impulsionou as vacinas contra a Covid-19, o grupo desenvolveu vacinas de mRNA codificando as proteínas EsxB e EsxG.
Os testes mostraram que, quando direcionadas aos lisossomos — estruturas que degradam moléculas dentro das células —, essas vacinas aumentaram em mil vezes a exibição de peptídeos da TB em comparação com outras versões.
A adição da proteína EsxA intensificou ainda mais o efeito, sugerindo que o combinação de antígenos pode gerar imunidade mais ampla e duradoura.
Próximos passos e perspectivas
Atualmente, o time do MIT testa uma combinação de oito proteínas candidatas com amostras de sangue de pessoas de diferentes regiões do mundo.
Os próximos desafios incluem validar a proteção em modelos animais e, futuramente, iniciar ensaios clínicos em humanos.
A pesquisa recebeu apoio do Koch Institute for Integrative Cancer Research, do National Institutes of Health (NIH) e de outros centros norte-americanos.
Impacto potencial global
Com a resistência crescente às drogas e a persistência da tuberculose em países de baixa e média renda, o desenvolvimento de uma nova vacina representa uma esperança concreta de controle e erradicação da doença.
“Nosso objetivo é criar uma vacina que funcione para a maioria das pessoas, em qualquer parte do mundo”, conclui Bryson.
A descoberta do MIT marca um avanço científico significativo na luta contra a tuberculose. O uso da tecnologia de mRNA pode finalmente superar as limitações da vacina BCG e salvar milhões de vidas nas próximas décadas.