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Coronavírus no ar é capaz de infectar células, conclui outro estudo preliminar

Coronavírus no ar é capaz de infectar células, conclui outro estudo preliminar

Cientistas encontraram pedaços do Sars-CoV-2 no ar que são infecciosos; pesquisa reforça achados anteriores que apontam para essa possibilidade, mas conclusões não foram publicadas em revista científica. Comunidade internacional e OMS reconhecem a possibilidade.

Mais um estudo preliminar, ainda não divulgado em revista científica, reforça a possibilidade de que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) seja transmissível pelo ar. Cientistas da Universidade da Flórida e da empresa americana “Aerosol Dynamics Inc” encontraram, no ar, pedaços do vírus que podem infectar humanos e causar a Covid-19.

Essa possibilidade já havia sido apontada em outros estudos, também preliminares, e reconhecida pela Organização Mundial de Saúde mas ainda não há conclusões definitivas a respeito (veja mais estudos sobre o tema mais abaixo nesta reportagem).

A pesquisa da Flórida foi divulgada numa plataforma online no dia 4 de agosto, mas ainda não passou por revisão de outros cientistas (a chamada “revisão por pares” ou “peer review”, em inglês), etapa que é necessária para validação dos resultados e publicação deles em revista científica.

A sequência genética do vírus encontrada no material coletado era idêntica àquela isolada em testes feitos em pacientes com infecção ativa, segundo o estudo.

Os pesquisadores alertaram que pacientes com a Covid-19 podem produzir gotículas que carregam o vírus (aerossóis) que podem transmitir a doença mesmo sem terem passado por procedimentos que gerem essas gotículas, como a intubação.

Outros indícios

No início de julho, mais de 200 cientistas apoiaram uma carta aberta à comunidade médica internacional, incluindo a OMS, pedindo que reconhecesse o risco de transmissão da COVID-19 pelo ar.

A entidade disse que a transmissão pelo ar não podia ser descartada em alguns tipos de ambientes internos, e sugeriu uma combinação de fatores para que ela pudesse ocorrer.

Segundo a última atualização do site da organização, no dia 9 de julho, “a transmissão aérea do Sars-CoV-2 pode ocorrer durante procedimentos médicos que geram aerossóis”.

Semanas depois, pesquisadores da Universidade de Nebraska, também nos EUA, divulgaram o resultado de um estudo apontando que era possível localizar partículas virais do Sars-CoV-2 nos ar. Além disso, os cientistas conseguiram, pela primeira vez, multiplicar em laboratório o material do vírus que estava em suspensão. A pesquisa também foi divulgada como prévia, sem avaliação por pares.

Ainda em julho, outra prévia de pesquisa, feita por cientistas de Harvard, apontou que 59% da transmissão da Covid-19 no navio “Diamond Princess” ocorreu pelo ar, e não pelo contato com gotículas de saliva (responsável pelos outros 41%). Os cientistas recriaram o surto em um computador e observaram os padrões nas taxas de contaminação.

O “Diamond Princess” foi apontado como um dos pontos de surto da epidemia ainda em fevereiro, quando poucos países confirmavam casos de Covid-19. Com quase 4 mil passageiros, o navio chegou a ficar quase um mês de quarentena em um porto japonês. Ao todo, mais de 700 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus na embarcação.

Fonte: G1

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